O surgimento da telenovela no Brasil

Este relatório faz parte da conclusão final  do Projeto e Produto Midiático ( PPM ), apresentado ao curso de Comunicação Social - Publicidade e Propaganda na Universidade de Mogi das Cruzes, realizada pela aluna Ana Paula Bastos, junto com Agência DCAP, na qual faz parte da agencia.  


O começo da “era da telenovela”, surgiu junto a chegada da emissora Rede Globo, fundado pelo jornalista Roberto Marinho – sucessora da TV Paulista – em 1964. Nesta mesma década, surgiu a primeira TV brasileira, inaugurado pelo magnata da comunicação Assis Chateaubriand, neste mesmo ano que surgiu a Globo, começou a crescer as telenovelas que, mais  tarde tornaria  o programa de entretenimento mais visto pelo brasileiro.

Durante a década de 40, o escritor cubano Félix Caignet escreveu a novela “O direito de nascer”, que passaria a ser transmitido primeiramente em rádios cubanas, mais tarde chegaria ao Brasil na  Rádio Tupi na década de 50, posteriormente na década seguinte  esta novela passa por uma adaptação para rede televisiva por Teixeira Filho e Talma de Oliveira.  Tornando-se um sucesso para aquela época, tanto a versão televisiva quanta a rádio.


Quase 3 anos após a transmissão da novela O Direito de Nascer no Brasil, no ano de 1967 a Rede Globo utiliza como base o modelo norte-americano, tratando-se de algo ligado a “exploração comercial”, ou seja, significa  que  poderia ser usado a venda do tempo da programação de televisão para a publicidade de um modo geral, e não como era antigamente  em programas isolados, através digamos desta estratégica de marketing  começou a surgir verbas publicitárias, que futuramente seriam essencial para manter a televisão.
Com a chegada da década de 70, a Rede Globo já registrava elevado números de audiência, ultrapassando a TV Record, passou a liderar o mercado monopolizado que permanece até hoje sendo a preferida do povo brasileiro. Outro fato importante no decorrer desta década foi o aumento de produção teledramaturgia, conquistando o telespectador com o seu enredo narrativo muito bem produzido.  Antes do Globo, a TV Excelsior era líder tratando-se de produção de telenovelas.


O público-alvo
Nos anos rebeldes - década de 60 -  o público-alvo dirigia-se às  donas-de-casa, a classe média que crescia junto a industrialização, na qual começaram a ter o poder de consumo, principalmente ligado a programas televisivos. Os chamados plots ( significado enredo, trama ), era sempre baseado com cenas  voltados para o público feminino, tendo muito romantismo.
Já nos anos 70, os famosos anos de Chumbo, o público-alvo começou a aumentar e aquilo que era voltado mais para as mulheres, passou a ser visto também pelos homens da casa, assim também como as crianças e jovens.  Na qual pode perceber que este programa de entretenimento foi invadindo a casa do brasileiro e sendo bem aceito. Curiosamente, a Rede Globo montou uma estratégia, através de pesquisa, percebeu que o melhor horário para serem transmitidas as telenovelas é após as 18 horas. Neste horário podemos encontrar com mais facilidade a população em suas casas, já que boa parte trabalha durante o dia, saindo de suas casas no período da manhã e retornando no final da tarde. Já os jovens, costumam estudar de manhã ou à tarde. Neste caso, o resultado foi que deve começar a serem exibidas as telenovelas, após as 18 horas até no máximo às 22 horas.

A rede televisiva passou a ser considerada o melhor aparelho eletrônico capaz de trazer diversão, por meio de sons e imagens, na qual o público, no geral, assiste a mesma programação, seja ela classe alta ou baixa. Ambos irão absorver a mesma informação, a mesma cultura e a aprendizagem influenciadas pelas telenovelas.  Sendo assim, o telespectador passa ser manipulado por esse meio de comunicação de massa, assistindo aquilo que é programado pela televisão, é o que tem para oferecer no exato momento. Deixando o público mais confortado diante do televisor. Ao invés de sair de casa e ir até o espetáculo, é o espetáculo que vai até o público, passando a integrar as casas todos os dias, evitando o deslocamento.

Podemos chamar de teatro-televisivo, a única diferença é que não há um encontro  entre a cena do teatro com o público, no sentido cara-a-cara.
O telespectador ao assistir uma telenovela passa a se fascinar diante das cenas e história que os famosos plots lhe oferecem, que aquilo que é ficção, passa a ser real a quem assistir tornando-se até mesmo um modelo espelho para a vida real, fora das telas.  Costuma-se dizer que o brasileiro casou com a televisão, onde encontrou uma forma de lazer e reunir a família, tão intimo direto e pessoal.

A evolução das novelas
Os primeiros autores de telenovelas buscaram influencia de novelas argentinas, cubanas e as mexicanas – essa ultima famosa por seus melodramas. O diretor artístico Edson Leite descobriu a telenovela-folhetim na Argentina e resolver trazer ao Brasil, na emissora para qual trabalhava a TV Excelsior . Esta emissora era para o Brasil, o que a Rede Globo é atualmente, um grande celeiro de atores e laboratório de novelas bem produzidas, surgindo neste mercado que estava crescendo e, futuramente tornar-se-ia uma das profissões mais desejadas: a da atuação.

Na década de 60, outra autora em alta por seus “folhetins melodramáticos” é a Ivani Ribeiro, com um currículo na bagagem, na qual desenvolvia novelas desde o tempo da radiofônica, para a Rádio Nacional, adaptando as versões originais da Cuba e Argentina, desde o ano de 1944. Curiosamente para apoiar as novelas na rádio ou na TV, esteve sob patrocínio a marca Colgate-Palmolive, na qual entra também o famoso merchandising  dentro do enredo.

Neste caso, podemos citar o começo do furacão telenovelas no Brasil, em 1964, surgindo junto com o Golpe Militar, iniciando a partir de abril do mesmo ano a ditadura – que durou por mais de 20 anos. Com isso, a população começou a se amedrontar com as noticias de torturas, desaparecimento e perseguição que iam contra a oposição dos militares e passaram a ficar mais em casa, principalmente no período noturno. Esta era a oportunidade deste veiculo de comunicação de massa, de implantar o gênero dramaturgo na televisão, aproximando da população que costumavam ficar em casa após um dia de trabalho.  A telenovela manipula o povo com seus plots, aquilo que até então era apenas ficção passa a torna-se realidade, pois o homem tem costume de se espelhar ao outro, no entanto, a população se espelha nos personagens.
Durante o crescimento das telenovelas, o que não podia faltar dentro do enredo e assim manter a manipulação de emissora, novela e telespectador, conseqüentemente gerasse um resultado de uma boa audiência, era:
·         Falta de identidade, dupla personalidade;
·         O mistério do nascimento;
·         Os enganos intencionais ( falsos testamentos, papéis incriminados e cartas anônimas...)
·         A perseguição da inocência;
·         Os falsos mortos;
·         Os triângulos amorosos;
·         E as vinganças.
( CAMPEDELLI,pág. 27, 1987 )


O elenco de novela
As histórias de Ivani Ribeiro transmitidas na TV Excelsior, fizeram com que transformasse em uma fábrica de produções e atores, no qual dentro do enredo foram divulgados dois importantes papéis que não podem faltar em uma telenovela: um ator que interpretasse o vilão ( ou vilã ) e o outro o herói ( ou heroína ). Nos anos 60, com a força da comunicação de massa e telenovelas, os salários do atores já eram pagos pelas próprias emissoras e os patrocinadores, aqueles produtos que consumíamos no cotidiano e apareciam dentro do enredo, para aumentar suas vendas.

Folhetim exótico
São novelas que foram escritas e gravadas em “paisagens alienígenas”, em outras palavras, o homem é guiado pela trama de suas cenas externas ou internas, no qual as características dos personagens devem ser excêntricos, estranhas e exageradas.
Surge também outra autora, a cubana Glória Magadan, trabalhando para os folhetins do horário nobre, cujo trabalho que lhe propuseram era supervisionar as grandes produções das tramas, que por sua vez, algumas foram adaptadas dos folhetins do século XIX e outras foram praticamente plagiadas.  Para Glória Magadan o enredo deve desenvolver interpretações cheias de divagação, ou seja, andar para um lado e para o outro, textos pesados e diálogos complicados, que a meu ver refere-se a assuntos polêmicos, cuja população não está acostumada a discutir uma com a outra.

A telenovela alternativa
Ao longo do tempo foram surgindo diferentes tipos de como produzir uma telenovela, uma delas é a chamada narrativa “alternativa” que foi desenvolvida através dos “Folhetins melodramáticos” de Ivani Ribeiro e “Folhetins Exóticos” de Glória Magadan, sob escrito os textos das novelas por Lauro Cesar Muniz e Bráulio Pedroso.
Na década de 70, a Rede Globo já dominava boa parte dos estados brasileiros e a população já se envolvia com o enredo, ficando apaixonada por esse programa de entretenimento. Eis, que surge um novo gênero, a chamada “sátira social” voltado para aquelas novelas que iriam ser transmitidas no horário das 19h, podendo ser algo humorístico ou trágico. 

A telenovela chanchada
Foi denominada na década de 80, a chamada “chanchada” vem de estilos dos cinemas da década de 50. Porém, a partir dessa mesma década o que se tornou um grande sucesso da  Globo, foi as famosas novelas ao estilo de “comédia-pastelão”, que foi a mais investida naquela época. Citando um exemplo de novela de grande êxito naquela época foi “Guerra dos sexos” escrita por Silvio de Abreu, inclusive a própria Rede Globo está transmitindo uma nova versão, escrita pelo próprio Silvio e sob dirigido por Jorge Fernando, obviamente com um enredo voltado para a época atual, na qual estamos neste no momento, no ano de  2012.

Referências Bibliografia
CAMPEDELLI, Samira Youssef – A Telenovela – 2ª edição  - 1987 -  Editora Ática


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